Os
membros do Conselho de Representantes da Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Indústria – CNTI,
lideranças sindicais de 52 Federações de Trabalhadores
na Indústria, militantes de diversas tendências
políticas e centrais sindicais, reunidos no Centro
Técnico Educacional – CTE/CNTI, em Luziânia-GO, nos dias
26 e 27 de novembro de 2009, representando milhões de
trabalhadores industriários de todas as regiões e dos
diversos estados do Brasil, neste ato, desprovidos de
sectarismo e/ou partidarismo, ao discutir e deliberar
sobre os diversos assuntos que afligem e preocupam a
classe trabalhadora e o povo brasileiro, manifestam sua
indignação quanto ao tratamento e a forma com que parte
significativa da classe política, seja do executivo ou
do legislativo, vêem conduzindo as alternativas, ações e
perspectivas para as conseqüências e adversidades
advindas com o “blecaute ou apagão”, que
deixou 18 Estados sem luz na noite do último dia 10 e na
madrugada do dia seguinte,
levando
milhões e milhões de pessoas – trabalhadores,
aposentados, idosos, crianças, doentes... – ao
desespero, à insegurança, à imobilidade do caos, em que
prejuízos de todas as ordens se assemelham a estados de
exceção, em que a vida e sua possibilidade encontram-se
ameaçadas.
À vista
das discussões e dos desdobramentos sobre os motivos que
levaram a este blecaute, busca-se encontrar o “culpado”,
muitas vezes atribuindo culpa ao governo federal, seja
ao atual ou ao passado, sobretudo na era FHC. É
necessário, primeiramente, compreender que ocorrências
desta natureza são comuns em todo o sistema elétrico. As
razões são diversas: descargas atmosféricas, ventos ou
falta de manutenção. O que se torna relevante, neste
momento, não é discutir o que provocou o blecaute, mas
sim porque atingiu tamanha dimensão e quais os motivos
da demora no restabelecimento.
Quando
verificamos que o sistema elétrico brasileiro está
entregue, em sua quase totalidade, para a iniciativa
privada ou para empresas de economia mista, com capital
aberto e negociado em bolsas de valores, percebemos que
estas empresas passaram e passam a visar, acima de tudo,
o lucro em detrimento de seu papel social enquanto bem e
serviço essencial à sociedade. Fator que aqui se torna
relevante porque na busca irracionalizada pelo lucro, as
empresas deixaram e deixam de investir em manutenção
linhas, usinas e subestações, assim como em construções
e ampliações destas instalações adequadas às
necessidades peculiares às diversidades regionais deste
país e de seus estados. Trazemos esta discussão porque
entendemos que a fragilidade do sistema elétrico
brasileiro não se deve apenas a disponibilidade de
energia, e sim, às formas de gestão destas empresas,
admitindo a precarização das formas de trabalho com mão
de obra desqualificada e terceirizada, além dos
processos de reestruturação produtiva voltados para a
centralização das atividades operacionais, a redução
desumana, indigna e continuada dos quadros funcionais de
trabalhadores, com o objetivo único, reiteramos, do
lucro, promovendo deliberada e propositadamente à
distância dos consumidores e dos subsistemas regionais.
Tomemos
como exemplo o caso da CEMIG – Companhia Energética de
Minas Gerais. Desde o ano passado, a empresa vem
centralizando suas atividades. Dentre elas, os centros
de operação de sistema. Hoje, a CEMIG possui 07 (sete)
centros de operação regionais, localizados nas cidades
de Pouso Alegre, Juiz de Fora, Divinópolis, Governador
Valadares, Uberlândia, Belo Horizonte e Montes Claros.
Estes Centros são responsáveis pela operação dos
subsistemas regionais, com conhecimentos técnicos
especializados para cada região, o que facilita a
localização e as manobras para restabelecimento,
sobretudo em caso de blecaute. Esta empresa pretende
centralizar os centros de operação regionais todos em
Belo Horizonte em um único centro de operação. Medida
que, segundo vários especialistas que se manifestaram a
respeito do blecaute, – modelo pernicioso ao sistema
elétrico já adotado em quase todos os principais estados
afetados pela demora de restabelecimento do apagão – ao
distanciar os centros de operação dos subsistemas
regionais, aumentando, inclusive, o número de linhas,
subestações e usinas sob a responsabilidade de cada
profissional operador do sistema, teria como
conseqüência exatamente o que vimos ocorrer na noite e
na madrugada dos dias 10 e 11 passados. Uma demora
excessiva no restabelecimento de energia. Decisões desta
natureza, tomadas por esta empresa, desde 2003, com a
centralização de processos, automações e terceirização,
fizeram por aumentar significativamente o tempo médio de
interrupção aos consumidores desta concessionária. A
centralização das unidades regionalizadas destes centros
de operação, não temos dúvidas, aumentarão este tempo de
interrupção e a escuridão será ainda maior.
No
Estado de São Paulo temos o mesmo cenário, porém com
episódios até mais dramáticos ao povo, se afetados por
blecaute de qualquer magnitude. As concessionárias de
distribuição, geração e transmissão de energia elétrica
já foram privatizadas. A precarização das formas de
trabalho, dos sistemas e instalações elétricas já
adquiriram uma dimensão mais perniciosa à população,
seja consumidora ou produtora de bens e serviços. A
terceirização já dimensionou suas ações e tem prioridade
como parceira da iniciativa privada e de um modelo de
Estado que se preocupa muito mais com políticas de
manutenção do status quo e do lucro do que a
justiça social e o interesse de sua população. O centro
de controle ou de operação do sistema não existe neste
Estado. A maioria das subestações são automatizadas,
fazendo com que ocorrências de blecautes tenham maior
demora ou atraso no restabelecimento da energia.
Estados
como Rio de Janeiro, Paraná e muitos outros estados
brasileiros passam por situações de mesma natureza. A
gestão do sistema elétrico não tem priorizado a
proximidade com o cliente, seja o pequeno ou o grande
consumidor. Nestes dois últimos estados, ao restabelecer
o sistema elétrico, pela falta de manutenção nos
equipamentos e instalações, parte significativa da
população, em diversos bairros e regiões, permaneceu sem
energia por volta de 24 horas, ou mais. Fato que se
torna recorrente e é prejudicial a qualquer sistema
elétrico, pois a falta de manutenção introduz defeitos e
resistências às conexões e circulação de energia,
fazendo com que nos momentos de sua queda ou
interrupção, ao se restabelecer um circuito, tais
anomalias dificilmente não se transformam em
contingências operacionais ou conseqüências restritivas
ao restabelecimento da energia ao consumidor.
Um
blecaute desta natureza não fará parte apenas da
história se a tecnologia e a automação, que tanto
apregoam os gestores privados ou públicos, não forem
vistas como anteparos que não acompanham na mesma
velocidade, e investimento, alterações continuadas e
perenes, que só podem ser praticadas na telefonia e na
informática, pois é aí, por enquanto, que ainda se
admite como obsoletos sistemas e programas com mais de
seis meses; o que não pode e nem ocorre com linhas de
transmissão, subestações e usinas. Ignorar esta condição
é subjugar a espécie humana e colocá-la como
descartável, como descartável tem sido tratada a razão
advinda da classe trabalhadora que tanto vem alertando
aos governantes sobre estas condições.
Por
fim, acreditamos que as conseqüências de blecautes desta
magnitude só serão amenizadas e menos impactantes à
população, quando os gestores públicos, deste país,
incorporarem em suas ações a manutenção do sistema
elétrico como prioridade de Estado e não de governo,
cuja transitoriedade interpõe o compromisso apenas com o
mandato e com quem lhe concedeu os recursos para estar
governo, acima dos ideais de um povo, cuja claridade, se
percebida como verdadeira, ainda obscurece sua visão e
retira a esperança de uma Nação que o inclua, como
prioridade, para além do ato que antecede ao voto, ou
seja, das promessas que ultrapassam a luz prometida.
Luziânia-GO, 27 de novembro de 2009.
01. FTI do Estado de AC e RO - FITRAC
-
ANTÔNIO ACÁCIO MORAES DO AMARAL
02. FTI do Estado de ALAGOAS
-
ARNALDO MOURA DOS SANTOS
-
VALTER POLICARPO DA SILVA
03. FTI da Construção e do Mobiliário do AMAZONAS
-
FRANK MARCIO SOARES COSTA
04. FTI do Estado do AMAZONAS
-
MARIO JORGE BARROS BRANDÃO
-
ALMIR PEREIRA
05. FTI do Estado da BAHIA
-
NATANAEL VITORIA FERREIRA
06. FTI do Estado do CEARÁ
-
RAIMUNDO LOPES JUNIOR
07. FTI da Construção e do Mobiliário do CEARÁ
-
ANTÔNIO RODRIGUES FERNANDES
08. FTI do Estado do ESPÍRITO SANTO
-
ADEMIR LOPES CAMPOS
-
CARLOS JOSÉ GOMES
09. FTI dos Estados de GOIÁS, TOCANTINS e DF
- JOSÉ
SILVESTRE BARBOSA
-
MARLY ALVES CHAVEIRO
10. FTI da Construção e do Mobiliário de GOIÁS e
TOCANTINS
- ANTONIO MARTINS FERREIRA
- BENEDITO TEODORO CORREA
11. FTI do Estado do MARANHÃO
-
JOSÉ ADRIANO JANSEN
12. FTI da Construção e do Mobiliário de MARANHÃO
-
WASHINGTON LUIZ OLIVEIRA DE SOUSA
-
THOMAZ JOSÉ DOS SANTOS
13. FTI Urbanas do Estado de MINAS GERAIS
- EVERSON ALCÂNTARA TARDELLI
14. FTI Vestuário do Estado de MINAS GERAIS
-
SEBASTIÃO SÉRGIO DE FÁTIMA RODRIGUES
-
CLAUDIO JESUS FERREIRA
15. FTI da Construção e do Mobiliário de MINAS GERAIS
-
JOSÉ ANTONIO DA SILVA
16. FTI da Fiação e Tecelagem de MINAS GERAIS
-
NEULER RIBEIRO
-
MESSIAS JULIO DE ABREU
17. FTI Extrativas do Estado de MINAS GERAIS
-
JOSÉ MARIA SOARES
-
NEFTALI GONÇALVES DA SILVA
18. FTI Químicas e Farmacêuticas do Estado de MINAS
GERAIS
-
VALTER RAIMUNDO DE ARAÚJO
-
EDILSON MAIA FILHO
19. FTI Papel, Papelão, Cortiça do Estado de MINAS
GERAIS
-
JORGE LUIZ DE SOUZA
20. FTI do Estado de MATO GROSSO
-
RONEI DE LIMA
-
JOÃO ALVES DA LUZ
21. FTI do Estado do MATO GROSSO DO SUL
-
JOSÉ ROBERTO SILVA
22. FTI do Estado do PARÁ
-
JOSÉ JACY RIBEIRO AIRES
-
OTON BELMIRO
23. FTI da Construção e do Mobiliário do PARÁ
-
AGUINALDO DO CARMO ALCANTARA
24. FTI do Estado da PARAÍBA
-
JOÃO AVELINO DA SILVA
25. FTI do Estado de PERNAMBUCO
-
MARIO TAVARES DE LIMA
-
CARLOS EDUARDO SOUZA
26. FTI da Construção e do Mobiliário do NORTE E
NORDESTE
-
JÚLIO FRANCISCO DA SILVA
27. FTI do Estado do PIAUÍ
-
FABIO DOURADO GONÇALVES
-
ANTONIO COSTA CASTELO BRANCO
28. FTI da Construção e do Mobiliário do PIAUÍ
-
ANTÔNIO RODRIGUES DA SILVA
-
EVILAZIO DE DEUS LOPES
29. FTI do Estado do PARANÁ
- LUIZ ARY GIN
30. FTI da Construção e do Mobiliário do PARANÁ
-
CARLOS ROBERTO DA CUNHA
-
ADEMIR DIAS
31. FTI do Vestuário do Estado do RIO DE JANEIRO
-
JOSÉ DA SILVA MATOS
32. FTI da Construção e do Mobiliário do RIO DE JANEIRO
-
PAULO DA SILVA OLIVEIRA
33. FTI da Fiação e Tecelagem do Estado do RIO DE
JANEIRO
-
JOSIAS FRANCISCO CABRAL
-
SEBASTIÃO GARCIA DE MATTOS
34. FTI Papel, Pap. Cortiça do Estado do RIO DE JANEIRO
-
ODILON DE FREITAS CABRAL
35. FTI do Estado do RIO GRANDE DO NORTE
-
JOAQUIM BEZERRA DE MENEZES NETO
-
JOÃO MARTINS BEZERRA
36. FTI do Calçado e do Vest. do Estado do RIO GRANDE DO
SUL
-
JOÃO NADIR PIRES
-
JOÃO HENRIQUE VITORAZZI
37. FTI da Construção e do Mobiliário do RIO GRANDE DO
SUL
-
AROLDO PINTO DA SILVA GARCIA
- IVO
VAILAITTE
38. FTI da Fiação e Tecelagem do Estado do RIO GRANDE DO
SUL
-
RICARDO HARLACHER JARDIM
-
ELIAS AZEVEDO FERNANDES
39. FTI do Papel, Pap. Cortiça do Estado do RIO GRANDE
DO SUL
-
JOÃO CARLOS FERREIRA BORBA
40. FTI Artefatos de Couro do Estado do RIO GRANDE DO
SUL
-
ABENOR SILVEIRA DA SILVA
41. FTI da Extração do Carvão do Sul do País – SC
-
GENUIR JOSÉ DOS SANTOS
-
ONIRO DA SILVA CAMILO
42. FTI do Estado de SANTA CATARINA
-
VALMOR DE PAULA
-
IDEMAR MARTINI
43. FTI da Construção e do Mobiliário de SANTA CATARINA
-
ALÍPIO CASTANHA DE ARAÚJO
-
CARLOS ROBERTO BAUDISSERA
44. FTI do Estado de SERGIPE
-
ALVINO AQUINO SANTOS
-
GENIVAL DE JESUS DÓRIA
45. FTI Vestuário do Estado de SÃO PAULO
-
JOSÉ LAURINDO PORTELLA
46. FTI da Construção e do Mobiliário de SÃO PAULO
-
EMÍLIO ALVES FERREIRA JÚNIOR
-
JOSÉ SEBASTIÃO DOS SANTOS
47. Fed. Empreg. Geração, Trans. do Estado de SÃO PAULO
-
LUIZ CASSIO DELISE DE MOURA
-
JOSÉ JURANDIR LOPES
48. FTI Extrativas de SÃO PAULO
-
APARECIDO JOSÉ DA SILVA
49. FTI Fiação e Tecelagem do Estado de SÃO PAULO
-
JOSÉ DE OLIVEIRA ROSA
50. FTI de Artefatos de Borracha do Estado de SÃO PAULO
- OSMIR NUNES RATO
-
CIRO APARECIDO PEREIRA LEITE
51. FTI do Papel, Pap. Cortiça do Estado de SÃO PAULO
-
MARIA HELENA ROMANSINE
52. FTI de Vidros Espelhos do Estado de SÃO PAULO
-
ANTONIO MALTAURO FACONI