DEPARTAMENTO PROFISSIONAL DO VESTUÁRIO DA CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA - CNTI

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NOTÍCIAS

 

Embargo argentino aos calçados cearenses causa prejuízo de US$ 23,1 milhões

 

Os empresários do setor calçadista brasileiro estão reivindicando  junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio uma solução rápida para o atraso nas licenças da Argentina as importações brasileiras.Eles reclamam que milhares de calçados estão retidos em depósitos do país vizinho por conta do atraso que em alguns casos chega a mais de  100 dias. O embargo viola as regras do livre comércio entre os países do Mercosul. Os principais prejudicados são os empresários cearenses que estão arcando com o maior prejuizo pela  demora na liberação das licenças automáticas argentinas.Segundo dados divulgados pela  Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) nas alfândegas argentinas  estão retidos cerca de quatro milhões  de pares aguardando  documentação, dos quais  80%, ou 2,7 milhões, foram  fabricados por empresas cearenses. O levantamento leva em conta dados obtidos junto as 38 empresas vinculadas  a associação até o dia 13 de outubro passado..Como  consequência das barreiras impostas pelo Governo  argentino,os empresários cearenses estão amargando  um prejuízo superior a  US$ 23,1 milhões, o que representa  65% do faturamento nacional, que é de US$ 35,8 milhões. A crise se agravou devido ao fato de os produtos brasileiros não terem conseguido chegar aos mercados do pais vizinho antes do dia 16 de outubro passado, data em que foi comemorado,naquele pais,  o Dia das Mães .  Agora existe a ameaça dos produtos cearenses  não terem a chance de ser disputados pelos  consumidores nas vitrines das lojas argentinas durante as festas de fim de ano..  Segundo a Abicalçados as medidas protecionistas adotadas pelo vizinho país sul-americano poderão  levar o Brasil a deixar de faturar mais de US$ 100 milhões em 2011. A decisão tomada pela presidenta Cristina Kirchner, reeleita domingo passado, teria conotação politica já que  interessada em agradar o setor calçadista argentino, angariando  votos,,ela livrou a indústria local  da concorrência dos produtos brasileiros, que são superiores.Associações do setor e jornais que circulam na fronteira informam que dezenas de armazéns situados na região sul estão repletos de calçados em sua maioria de origem cearense,.Segundo, Heitor Klein, diretor-executivo da Abicalçados,  a Argentina de forma deliberada está desrespeitando o acordo firmado com o Brasil, que determina a liberação das licenças em até 60 dias em troca da limitação do volume de calçados exportados em até 15 milhões de pares. Klein ressalta que os produtos brasileiros estão retidos há mais de 200 dias, fato que comprova o rompimento do acerto entre os Governos brasileiro e argentino. Eduardo Bezerra, superintendente do Centro Internacional de Negócios(CIN), órgão vinculado a Federação das Indústrias do Estado do Ceará(FIEC)  acha que os argentinos nunca foram confiáveis com  relação ao cumprimento das cláusulas do Mercosul. .Eduardo lamenta que a Argentina somente utilize o Mercosul de acordo com suas conveniências e não como uma área de livre comércio. Eduardo argumenta que os argentinos criam embargos aos produtos brasileiros com o objetivo de blindar setores de sua economia, que na concepção deles devem ser protegidos da concorrência dos ´produtos das demais nações que integram o Mercosul: Brasil, Paraguai e Uruguai.Para o superintendente do CIN não existem muitas alternativas  para os empresários cearenses, E a solução é aguardar a intervenção do  Itamaraty, pois não existe justificativa jurídica  e nem diplomática para as medidas protecionistas adotadas pela Argentina.

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Indústria Têxtil e de Confecção: Desempenho e Perspectivas

# O setor é responsável por mais de 1,7 milhão de empregos diretos, além de ser o segundo maior empregador da Indústria de transformação.

# Em 2010 o faturamento estimado pela ABIT  para o setor têxtil e de confecção foi de US$ 52 bilhões.Vale destacar que apenas 3,0% (US$ 1,4 bilhão) do faturamento do setor é resultado das exportações, o que significa que 97% (US$ 50,6 bilhões)  da produção é destinada ao mercado interno.

# Os principais importadores dos produtos têxteis /vestuário do Brasil é a Argentina, seguida pelos Estados Unidos, Indonésia, Coréia do Sul e China.

 

Emprego

# De acordo com a ABIT- Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, o setor é responsável por 1,7 milhões de empregos diretos. De janeiro a dezembro de 2010 foram gerados 63.965 novos empregos no setor. De janeiro a abril de 2011, foram criados 16.536 novos postos de trabalho.

 

Rotatividade

# No período analisado foram admitidos 193.957 e desligados 177.421.

 

Faturamento 2011

O faturamento previsto é de US$ 54 bilhões e a perspectiva de gerar 40 mil novos postos de trabalho.

 

Setor Calçadista

A Indústria calçadista brasileira ocupa o 3º lugar no ranking de produtores mundiais, é o 8º maior exportador e o 4º maior mercado consumidor do mundo.

 

Empregos

Entre janeiro e dezembro de 2010 o setor calçadista gerou 30.034 novos empregos.

Em 2011, foram gerados no setor até abril, 19.975 postos de trabalho, número inferior aos 32.762 novos empregos criados no mesmo ano período de 2010.

FONTE: DIEESE

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O preço da roupa barata

Um flagrante de trabalho em condições degradantes atinge um ícone da moda – a Zara – e expõe a contradição entre mercado (que quer pagar pouco) e as leis trabalhistas (que custam pouco).

 

“A informalidade é o maior problema no mercado de trabalho brasileiro. No país, o custo de empregar um funcionário é superior ao salário que ele recebe – para cada emprego com carteira assinada, paga-se um salário ao trabalhador, outro ao governo. A lei tortuosa é um obstáculo para quem emprega de modo formal e funciona como um incentivo perverso para aqueles que não têm escrúpulos em desrespeitá-la. Graças aos desvarios de nossa legislação trabalhista, um terço dos empregados brasileiros está na ilegalidade, sem nenhum tipo de contrato, direito ou garantia jurídica. E nenhum tipo de informalidade é tão perverso quanto as condições de trabalho degradantes, análogas à escravidão.Na semana passada, uma blitz do Ministério do Trabalho flagrou 16 bolivianos e cinco crianças nessas condições em duas oficinas de São Paulo que prestavam serviços a um dos maiores ícones da moda contemporânea: a rede espanhola Zara, cujas coleções são admiradas e consumidas em todo o mundo. Os costureiros não tinham registro em carteira e trabalhavam até 16 horas por dia para ganhar R$ 2 por peça produzida.Os trabalhadores eram obrigados a morar no local. O chuveiro não tinha água quente. Os fiscais multaram a Zara em R$ 1 milhão. A Inditex, empresa controladora da Zara, reconheceu a irregularidade e exigiu que o fornecedor regularizasse a situação.Apenas no ano passado, o Ministério do Trabalho flagrou 2.600 pessoas em condições similares. Além da Zara, tais ações atingiram outras marcas de relevo no universo da moda – caso recente das Lojas Marisa e das Casas Pernambucanas, como ÉPOCA revelou em abril passado.” Pág. 68.

 

“De certa forma, as pressões de custos sobre os fornecedores são consequência do próprio modelo de sucesso da Zara. Ela nasceu de uma visão de seu fundador, o espanhol Amâncio Ortega, dono de uma fortuna avaliada pela revista Forbes em US$ 31 bilhões (a maior da Espanha e sétima do mundo). Qualidade, preço baixo e agilidade de produção são a alma do negócio da Zara. Para vender a preços baixos, as oficinas precisam manter seus custos lá embaixo. Nem todas fazem isso respeitando as leis. E não apenas no Brasil. No livro Zarápolis, a jornalista Cecília Monllor recolhe declarações anônimas de trabalhadoras de uma confecção. "A Zara é uma prisão", diz uma delas. "Se tentamos protestar, eles dizem que o mundo está cheio de pobres desgraçados dispostos a fazer o mesmo trabalho por menos da metade do pagamento."

Dá para mudar esse quadro? Todo país quer atrair empregos. As fábricas asiáticas estão sempre dispostas a oferecer custos de produção mais baixos sem dar atenção a direitos trabalhistas. Diante disso, é natural que alguns competidores – sobretudo nos países de legislação obsoleta e barroca como o Brasil – escolham atalhos ilegais para aumentar sua competitividade.” Pág. 70

 

                                                                                                FONTE: Revista Época 22/08/11.

 

Livro ZARÁPOLIS: La Historia Secreta de um Imperio de La moda.

Autor: Martínez Sánchez, Cecília Monllon.

Categoria: livro de Empresa.

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