24/11/05 -
Governo inaugura Central de Atendimento à Mulher
“Uma ligação que pode ser o diferencial na vida
de uma mulher, para fazer com que ela rompa o
ciclo da violência” (opinião de uma das
atendentes que irá fazer parte da equipe da
Central de Atendimento à Mulher).
Nesta sexta- feira (25/11), Dia Internacional da
Não-Violência contra as Mulheres, a Secretaria
Especial de Políticas para Mulheres (SPM)
inaugura a Central de Atendimento à Mulher com o
número 180. Ao acessá-lo, mulheres de todo o
país poderão, finalmente, denunciar a situação
de violência a que estão submetidas e também
receber ajuda e orientações de como enfrentá-la.
O
lançamento da Central marca o início da campanha
do Governo Federal no Dia Internacional da
Não-Violência Contra as Mulheres. A ministra da
Secretaria Especial de Políticas para Mulheres,
Nilcéa Freire, o ministro da Saúde, Saraiva
Felipe e o secretário nacional de Segurança
Pública do Ministério da Justiça, Luiz Fernando
Corrêa inauguram a Central em cerimônia no
auditório do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão, às 9h30. A primeira ligação
para a Central será a da ministra. Durante o
evento, a ministra também apresentará um balanço
das ações da Secretaria de Políticas para
Mulheres, de 2003 a 2005, relacionadas ao
enfrentamento à violência contra a mulher.
Ao
lançar o serviço – Central de Atendimento à
Mulher - Ligue 180 - o Governo Federal fortalece
a política nacional de enfrentamento à violência
contra a mulher e atende a uma demanda de muitos
anos dos movimentos feministas e de mulheres e
de todos aqueles que atuam no contexto de
mulheres em situação de violência. As
beneficiárias diretas desse serviço serão as
mulheres, mas o enfrentamento contra a mulher
repercute positivamente sobre toda a sociedade.
Com a Central de Atendimento, todas as mulheres
poderão receber atenção adequada quando em
situação de violência, sem nenhuma exposição,
pois o sigilo é absoluto e a identificação será
opcional. Mas não só as mulheres que podem
acionar os serviços. Homens que queiram fazer
denúncias de casos de violência contra a mulher
serão bem acolhidos.
Em
seu período experimental de 90 dias, a Central
funcionará das 7h às 18h40, de segunda à sexta.
A ligação é gratuita e a expectativa é receber
em torno de 200 ligações/dia. Posteriormente
haverá ampliação do número de posições e do
horário de funcionamento, cobrindo o atendimento
24 horas e todos os dias da semana.
Além de encaminhar os casos para os serviços
especializados, a Central fornecerá orientações
e alternativas para que a mulher se proteja do
agressor. Ela será informada sobre seus direitos
legais, os tipos de estabelecimentos que poderá
procurar, conforme o caso, dentre eles as
delegacias de atendimento especializado à
mulher, defensorias públicas, postos de saúde,
instituto médico legal para casos de estupro,
centros de referência, casas abrigo e outros
mecanismos de promoção de defesa de direitos da
mulher.
As
atendentes utilizarão um banco de dados com mais
de 260 perguntas e respostas elaboradas com base
nas informações disponíveis na SPM e em todas as
denúncias já recebidas por sua Ouvidoria.
Atendimento qualificado – A Central funcionará
com atendentes, todas psicólogas ou estudantes
do último período de Psicologia. Na bagagem,
algumas têm a experiência de atendimento no
serviço Disque Saúde Mulher do Ministério da
Saúde e da SPM. Além disso, elas foram
capacitadas em questões de gênero, nas políticas
do Governo Federal para as mulheres, nas
orientações sobre o enfrentamento à violência
contra a mulher e, principalmente, na forma de
receber a denúncia e acolher as mulheres.
Campanha – O Dia Internacional da Não-Violência
Contra as Mulheres – 25 de novembro – é uma
justa homenagem às irmãs revolucionárias Maria
Tereza, Pátria e Minerva Mirabal que, em 1960,
foram presas, torturadas e assassinadas na
República Dominicana, durante a ditadura de
Rafael Leônidas Trujillo. O dia 25 de novembro
foi declarado pela primeira vez, o Dia
Internacional da Não-Violência contra as
Mulheres, no Primeiro Encontro Feminista da
América Latina e Caribe, realizado na cidade de
Bogotá, em 1981, 18 anos antes da proclamação da
ONU.
No
Brasil, segundo pesquisa da Fundação Perseu
Abramo, 11% do universo pesquisado de 61,5
milhões de brasileiras já foram vítimas de
espancamento. Este percentual representa um
total de 6,8 milhões. O levantamento aponta,
ainda, que uma em cada cinco mulheres foram
agredidas pelo menos uma vez. A pesquisa mostra
que o marido ou companheiro é responsável por
56% dos espancamentos, 53% da ameaça com armas e
70% da destruição dos bens. Mais da metade das
vítimas não procura ajuda.
Fonte:
Presidência da República

Dia Internacional da Mulher
8 de março: data de muitas histórias e lutas
As comemorações do 8
de março estão mundialmente vinculadas às
reivindicações femininas por melhores condições de
trabalho, por uma vida mais digna e sociedades mais
justas e igualitárias. Essa luta é antiga e contou
com a força de inúmeras mulheres que nos vários
momentos da história da humanidade resistiram ao
machismo e à discriminação.
Revolução Industrial
Na
segunda metade do século 18, as grandes
transformações ocorridas no processo produtivo e que
resultaram na Revolução Industrial, trouxeram
consigo uma série de reivindicações até então
inexistentes. A absorção do trabalho feminino pelas
indústrias, como forma de baratear os salários,
inseriu definitivamente a mulher no mundo da
produção.
Ela passou a ser obrigada a conviver com jornadas de
trabalho que chegavam até 17 horas diárias, em
condições insalubres, submetidas a espancamentos e
ameaças sexuais constantes, além de receber salários
que chegavam a ser 60% menores que os dos homens.
Em
exemplo típico do ambiente fabril na época era a
tecelagem Tydesley, em Manchester, na Inglaterra,
onde se trabalhava 14 horas diárias a uma
temperatura de 29º C, num local úmido, com portas e
janelas fechadas e, na parede, um cartaz afixado
proibia, entre outras coisas, ir ao banheiro, beber
água, abrir janelas ou acender as luzes.
Luta Operária
Não tardaram a surgir, na Europa e nos Estados
Unidos, manifestações operárias contrárias ao
terrível cotidiano vivenciado e os enfrentamentos
com o patronato e a polícia se tornaram cada vez
mais freqüentes. A redução da jornada de trabalho
para 8 horas diárias passou a ser a grande bandeira
dos trabalhadores industriais.
Em
1819, depois de um enfrentamento em que a polícia
atirou com canhões contra os trabalhadores, a
Inglaterra aprovou a lei que reduzia para 12 horas o
trabalho das mulheres e dos menores entre 9 e 16
anos. Foi também a Inglaterra o primeiro país a
reconhecer, legalmente, o direito de organização dos
trabalhadores. O parlamento inglês aprovou, em 1824,
o direito de livre associação e os sindicatos se
organizaram em todo o país.
Foi no bojo das manifestações pela redução da
jornada de trabalho que 129 tecelãs da Fábrica de
Tecidos Cotton, em Nova Iorque, cruzaram os braços e
paralisaram os trabalhos pelo direito a uma jornada
de 10 horas, na primeira greve norte-americana
conduzida unicamente por mulheres. Violentamente
reprimidas pela polícia, as operárias, acuadas,
refugiaram-se nas dependências da fábrica. No dia 8
de março de 1857, os patrões e a polícia trancaram
as portas da fábrica e atearam fogo. Asfixiadas,
dentro de um local em chamas, as tecelãs morreram
carbonizadas.
Durante a 2ª Conferência Internacional de Mulheres,
realizada em 1910 na Dinamarca, a famosa ativista
pelos direitos femininos, Clara Zetkin, propôs que o
8 de março fosse declarado como o Dia Internacional
da Mulher, homenageando as tecelãs de Nova Iorque.
Em 8 de março de 1911, mais de um milhão de mulheres
se manifestaram na Europa. A partir daí, essa data
começou a ser comemorada no mundo inteiro.
Em
1975, a Organização das Nações Unidas (ONU) realizou
a 1a Conferência Internacional da Mulher, no México,
onde reconheceu o 8 de março como o Dia
Internacional da Mulher e declarou 1975-1985 a
década da mulher.
Fonte:
Texto extraído de "8 de março, Dia Internacional da
Mulher – Uma data e muitas histórias", de Carmen
Lucia Evangelho Lopes.. CEDIM-SP/Centro de Memória
Sindical.

Câmara aprova projeto que prevê justa causa para
assédio
A Comissão de Constituição e Justiça e de
Cidadania (CCJ) aprovou na semana passada o
Projeto de Lei 62/99, que inclui entre os motivos
de demissão por justa causa o assédio sexual no
local de trabalho. O texto, de autoria da deputada
Iara Bernardi (PT-SP), define como assédio sexual
o constrangimento indevido causado ao trabalhador
pelo empregador, seu representante ou um superior
hierárquico.
A proposta garante ao trabalhador assediado o
direito à rescisão contratual com pedido de
indenização. Além disso, atribui ao Ministério do
Trabalho a definição de normas para implantação de
programas de prevenção ao assédio sexual nas
empresas.
Requisitos constitucionais
O projeto foi defendido pela relatora na comissão,
deputada Laura Carneiro (PFL-RJ). Para ela, a
proposta atende aos requisitos constitucionais e
legais, é de competência da União e refere-se a
tema que pode ser objeto de iniciativa
parlamentar.
Pelos mesmos motivos, Laura Carneiro também
aprovou o PL 1831/99, da ex-deputada Maria Elvira,
que trata do mesmo assunto e tramita em conjunto
com a proposta principal. A parlamentar, porém,
rejeitou o PL 1265/99, do deputado licenciado Jair
Meneghelli (PT-SP), que garante direitos a
trabalhadores demitidos por justa causa. Segundo a
deputada, a proposta fere o princípio da
igualdade.
Tramitação
O texto final, na forma do substitutivo adotado
pela Comissão de Trabalho, Administração e Serviço
Público, será agora encaminhado diretamente à
votação no Senado.
Fonte: Agência Câmara